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sábado, 10 de setembro de 2011

O CONGRESSO DA FITA-COLA


O Partido Socialista está reunido este fim de semana em Braga.
Um congresso que se segue à eleição de António José Seguro para seu Secretário Geral, sucedendo a 7 anos de Sócrates.
A tarefa do PS não é fácil.
Se por um lado, as medidas (duras e impopulares) do governo de coligação se põem a jeito para serem contestadas, por outro, por mais cara feia e dureza nas palavras que Seguro (e Seguro já foi o jovem mais velho de Portugal) imponha no seu discurso  ou nas suas ações de oposição, a pesada herança que meia dúzia de anos de governo de Sócrates deixaram, colocam uma metafórica fita-cola na boca dos socialistas, cuja consciência ainda permanece nos seus níveis de razoabilidade - o cadáver ainda fumega, de resto... - contendo-os no seu palavreado jacobino e revolucionário do costume.
Mas, como é evidente, o tempo passa - e nem precisa ser muito - a política é descarada e raramente tem a vergonha prostrada no seu manual de modus operandi, sendo que de braço dado com o esquecimento é uma fórmula eficaz, traduzida com parcimónia de culinária no alheamento das massas, por um lado, e por outro no arregimentar das bases partidárias para, controladas e em rebanho, espreitarem a oportunidade de mais tarde ou mais cedo voltarem ao pastoreio da pátria, como se à frente delas, abrindo caminho, um braço invisível pintasse de branco as paredes e terreno da história recente.
O país, como quase toda a gente percebe num silêncio de ratos, nunca sai a ganhar, por mais balões e confettis que no domingo, em Braga, sejam largados no céu...

sábado, 29 de janeiro de 2011

PENSAMENTOS DE UM TABERNEIRO NA ABA DO BALCÃO

Sexta-feira à noite. Lá fora um frio de esquimós embrulha a vila de braço dado com o nevoeiro.
Os clientes deixaram a taberna, a Alzira já limpou o chão e as mesas,  trocou de roupa, saiu e entrou no carro rumo à sua casa. A caixa está fechada, o bagaço enrola sonolências no seu canto, enrolado numa velha manta acastanhada, enquanto sonha com os ossos do talho e, no intervalo, com a cadela do Aristides.
A televisão, ainda ligada, revela o mundo na sua agitação. Se as convulsões no Egipto enchem o ecrã e a boca aos especialistas, já por cá a nação voltou a espelhar-se no debate quinzenal com o governo.
Com Sócrates, sempre educado e verdadeiro, a destilar as suas vozearias contra o país que não o entende e às suas glórias, mandando os seus "rapazes" ensinar ao Presidente eleito os efeitos e significados da palavra dignidade, como se o significado da palavra hipocrisia fosse algo que a sua cabeça grisalha ignora com olímpico desprezo.
Pedro Silva Pereira, uma espécie de sósia do Primeiro-Ministro, um "canino" que ladra alto aos transeuntes, diz hoje que espera que Cavaco "esteja à altura das suas responsabilidades", numa tirada absolutamente vergonhosa, dita por um dos mestres ou amestrados deste "regime", parido há seis anos por uma conjugação de "salvadores da pátria", que sobeja de tudo menos do que pede ao Cavaco.
A semana chega ao fim com os habituais exercícios de apoucamento da vitória eleitoral de Cavaco, o "esquecimento" do descalabro de Alegre, servidos por uma comunicação social subserviente e que, seguramente, não gosta da secura cavaquista, porque é infértil em soundbytes, como não era, por exemplo a de Soares, num país que teima em não se libertar do estigma de que o PS é o dono da moral e das virtudes e, seguramente, do país. Os resultados desse virtuosismo estão à vista e nenhuma cosmética os esconderá se o caminho estreito em que se segue afunilar de vez rumo ao abismo.
Por cá, por Penacova, o Presidente da Câmara jura a pés juntos que o palácio da justiça irá para a frente, não sabendo a dimensão da verdade ou inverdade das suas palavras, mas o pobre Dr. Humberto tem de mostrar serviço, seja porque isso é imperativo para a sua sobrevivência política, seja porque o partido que o "testou" e, supostamente, o suporta, o manda dizer o que disse e, pontualmente, outras "coisas", numa espécie de "prova de vida".
Nenhuma ingenuidade consegue desmentir o que se fala entre dentes, em gabinetes fechados, em reuniões onde o interesse do partido e dos "seus", bem como das respectivas vaidades, se confunde num cocktail promiscuo com,  vá lá,  o "interesse dos cidadãos", essa entidade tão vaga e tão difusa, mutável e de tratamento variável.
Desligo a TV, pouso o comando e encaminho-me para a porta, embrenhando-me no frio da noite. 
Atrás de mim seguem invisíveis vozes de desilusão que me afastam - e sempre afastaram - da militância partidária, vozes que falam do pensamento livre, aquele que nenhum imposto jamais taxará, aquele que não se amarra ao que "alguém" determina.
Quando dou por mim, o branco do nevoeiro desfaz-me os balões do pensamento e devolve-me ao silêncio total da noite, onde tudo está quieto e na sua normalidade.
Segue o descanso.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

JOSÉ MANUEL COELHO EM DIRECTO

 José Manuel Coelho, ao telefone com O Homem das Tabernas

O Homem das Tabernas (HDT) logrou chegar à fala, via telefone, como José Manuel Coelho (JMC), o candidato indígena madeirense que ficou com 4,5% de votos nas presidenciais de domingo.
Optámos por perguntas curtas, esperando o mesmo como resposta.
HDT - O que é que vai fazer com os 190 mil votos que teve?
JMC - Olhe, não vou de certeza fazer como o senhor Alegre. Não ando aí a pedinchar apoios de partidos e compadres. Não me misturo com essa gente que são todos uns corruptos, oportunistas e tachistas!
HDT - Acha que a sua mensagem popular e desprendida recolheu muitas simpatias?
JMC - Oh senhor, eu  não ando aqui para ser simpático. O que me interessa é denunciar este tachismo instalado e estes políticos corruptos e demais lambe-botas que os seguem só para os tachos e as mordomias. O senhor Alberto João, o senhor Sócrates ou o senhor Cavaco, são tudo farinha podre  do mesmo saco, andam todos ao mesmo, querem é carros, secretárias, jantaradas e viagens e o povo a apertar o cinto e a mandar fazer mais furos...
HDT - O que espera do Presidente Cavaco Silva?
JMC - Nada. Nem ele próprio espera nada. O homem já vai com 72 anos e quer é lareira, cobertores e sossego. O senhor Sócrates tem ali uma amigo às suas ordens! Aliás, sei que o senhor Sócrates votou no senhor Cavaco. Eu sei tudo, senhor!
HDT - Bom, já percebemos a sua mensagem, aliás, recebemos um conjunto de 3 cassetes dos seus discursos...Conhece Penacova?
JMC - Conheço muito bem. Fica ali perto de Coimbra, não é? Têm aí uma Lampreia do Minho que é muito boa. E ao que parece, tem dois presidentes de Câmara, o efectivo e um que não o sendo, o é e que quer roubar o lugar ao efectivo daqui a três anos, depois de o ter lançado para perder e se resguardar... Mas o tiro acertou nos seus próprios pés...
Vocês abram os olhos que isso é tudo malta que quer é tacho. Vocês vão continuar pobres e atrasados como sempre foram! Essa gente promete mundos e fundos e no fundo, andam pelos gabinetes a roçar-se nas secretárias, nas de madeira e nas de carne, em almoçaradas e em homenagens que fazem uns aos outros. Não têm vergonha!

sexta-feira, 8 de maio de 2009

ÚLTIMA HORA - CDS-PP COM SONDAGEM NEGATIVA

O Homem das Tabernas sabe que o CDS-PP apresenta, numa sondagem efectuada recentemente, -2% de intenções de voto.
Paulo Portas já considerou este fenómeno como sinal da vitalidade do CDS-PP nacional , afirmando que nunca nenhum partido tinha apresentado uma percentagem negativa de intenções voto.
Contactámos um politólogo conhecido, que pediu anonimato, e que nos explicou este raro acontecimento:
"-Repare, o CDS-PP não só desapareceu das intenções de voto, como entrou numa base negativa, facto que à luz da ciência política é absolutamente notável e certamente um case study a nível global, sobre o qual ainda nenhuma teoria foi suficientemente clara na sua explicação ou tentativa de explicação!
Penso que tal se deve ao facto de as pessoas manifestarem a clara intenção de não votar nesse partido e, segundo as leis do livro "O Segredo", esta conjugação negativa de intenções cria um processo regressivo que extravasa a numerologia e os mais estabelecidos conceitos matemáticos. Para tentar dominar esta situação, optou-se por classificar esta conjugação através das possibilidades que os números negativos oferecem. É a única maneira de se perceber o que está a acontecer e de explicar às pessoas que, presentemente, o CDS-PP existindo, não existe!
Espero ter sido claro!..."
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