quinta-feira, 4 de julho de 2013

O último serviço


Chega hoje ao fim o Homem das Tabernas.

Estivemos abertos durante mais de 5 anos, fomos visitados por 200 mil pessoas que nos viram perto de 400 mil vezes, fizemos 1164 serviços ao balcão e recebemos dois prémios nacionais: um 3º lugar na categoria melhor Blog "Local-Regional" em 2011 e um 2º lugar, em 2012, na categoria "Humor e Sátira". Há razões para estarmos satisfeitos. Ultrapassámos as fronteiras de Penacova e levámos o seu nome pelo país e até a algumas partes do mundo onde há portugueses e penacovenses.

Mas hoje chegou ao fim, como tudo o que não é eterno. Temos orgulho no trabalho que fizemos. Não escrevemos por escrever nem publicámos nada para daí obter dividendos (políticos, económicos ou outros), fazendo assim a diferença. Investimos cultura e brio, procurámos a criatividade, fugimos ao óbvio e aos lugares comuns, entrecruzámos ficção com realidade, fizemos rir, divertimos (e divertimo-nos), escrevemos a sério, fomos ameaçados, insultados e, principalmente, acarinhados e elogiados.

Por tudo isso, estamos cansados. Conjugar as agendas de cinco taberneiros não é fácil e ultimamente isso foi evidente, pela nossa indisponibilidade para prestar um serviço mais regular e à altura das vossas exigências.

Seguem as nossas vidas e, seguramente, a vida de Penacova, do país e do mundo.

Obrigado a todos os que nos seguiram!

Até um dia destes.

António Luís
José António Duarte
Vera Carvalho
Paulo Duarte
Alípio Padilha

terça-feira, 2 de julho de 2013

As treze maneiras de olhar um contribuinte

1
No meio de credores e especuladores gulosos
A única coisa em que mexeria
Era no bolso do contribuinte.

2
O contribuinte via as coisas de três maneiras diferentes,
Mas ele via-os como um poço sem fundo
Onde há muitos mais contribuintes.

3
O contribuinte rodopiava ao sabor dos ventos de Outono.
Era uma pequena parte da pantomima.

4
Um homem e uma mulher
São um contribuinte.
Um homem e uma mulher e um melro
São um contribuinte.

5
Não sabia qual preferir,
A beleza das especulações sonoras
Ou a beleza das insinuações especulativas,
O contribuinte a assobiar
Ou o Excel logo após.

6
Gotículas enumeradas cobriam o grande palácio de Belém
De vidros toscos.
A sombra do contribuinte
Cruzava-a, dum lado para o outro.
O estado de espírito
Desenhava na sombra
Uma taxa indecifrável.

7
Ó homens esguios de Bruxelas
Por que pensais em cidadãos dourados?
Não vedes como o contribuinte
Caminha à volta dos pés
De outros contribuintes perto de vós?

8
Sabia de previsões notáveis
E taxas lúcidas e inevitáveis;
Mas também sabia
Que o contribuinte estaria presente
Em tudo o que enumeraria.

9
Quando o contribuinte voou para fora do alcance da vista
Assinalou novas metas
Entre um ou muitos mais círculos.

10
Perante a visão de contribuintes
Voando enternecidos em torno de um subsídio,
Até os proxenetas da especulação
Haveriam de gritar com vivacidade.

11
Foi até Berlim
Num coche de vidro.
Uma vez, foi tomado de subserviência
Quando confundiu
A sombra da cadeira
Com contribuintes.

12
O rio corre.
O contribuinte deve andar a voar.

13
Anoitecia em cada instante da manhã.
As nuvens estimulavam o sol
E iam continuar a estimular.
E muitos contribuintes empoleirados
Nos ramos dos cedros.

Merecidamente dedicado a Vítor Gaspar, descaradamente roubado a Wallace Stevens (Treze maneiras de olhar um melro).

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Jaime Soares em grande entrevista

O Homem das Tabernas convidou Jaime Soares para um almoço/entrevista em V. N. Poiares. Assentámos praça num restaurante situado no parque industrial e, sentados à mesa, demos conta de um caçoilo de chanfana (à moda de Penacova) e de uma garrafa de Serros da Mina 2007 (um dos preferidos do presidente). E a conversa lá foi fluindo sobre diversos temas de âmbito local, regional e nacional:

HDT- Como avalia, numa frase, as quase quatro décadas à frente do seu município?
J. Soares - Poiares não existia quando eu cheguei ao poder.
HDT- Ora aí está uma afirmação que dá razão a quem o acha pretensioso, arrogante…
J. Soares - Quem for um verdadeiro poiarense concorda com a minha análise.
HDT- Muito bem. E a sua tão criticada relação com a oposição? Como a classificaria?
J. Soares - Que oposição?
HDT- Noto aí o tal desprezo pela saudável luta democrática que tantas vezes lhe têm apontado…
J. Soares - Isso são disparates. Sempre tive uma boa relação com a oposição, quando ela existiu.
HDT- Como antevê o embate PSD vs PS nas próximas eleições em V.N.Poiares?
J. Soares - Os poiarenses sabem ser gratos e escolherão com sabedoria, como sempre fizeram.
HDT- E isso quer dizer…
J. Soares - ...que Poiares vai continuar na senda do progresso, pois claro.
HDT- E como avalia o candidato do Partido Socialista?
J. Soares - É bom rapaz, mas meteu-se com a malta errada para poder triunfar aqui em Poiares.
HDT- O PSD é imbatível no seu concelho?
J. Soares - Enquanto eu mandar por aqui…
HDT- E depois de Setembro? Vai continuar a mandar?
J. Soares - Sim, mas delegarei algumas decisões no futuro Presidente da Câmara.
HDT- Virando a agulha para Penacova, que conselhos daria ao candidato do seu partido em Penacova?
J. Soares - Não vai ser nada fácil para o meu amigo Mauro. A máquina distrital de propaganda do PS tomou de assalto o vosso concelho e não vai ser fácil vocês verem-se livres deles. Os socialistas são autênticas ervas daninhas, depois de se instalarem não são fáceis de remover, sugando a vida e a iniciativa de qualquer comunidade. Se eu fosse ao rapaz (Mauro Carpinteiro) apostava em perguntar aos penacovenses o que ganhou o concelho com 4 anos de Pedro Coimbra.
HDT- Pedro Coimbra não foi Presidente da Câmara mas sim Presidente da Assembleia Municipal…
J. Soares - (gargalhada) – Mais alguma pergunta?
HDT- Sim, uma questão sobre a sua mais recente atividade cívica. Depois de tantos anos a ganhar politicamente, porque se foi meter com um clube eternamente perdedor?
J. Soares - (nova gargalhada) Essa teve piada. Já me tinham avisado que vocês são uns provocadores. É uma honra servir essa grande instituição que é o sporting, que será sempre um clube ganhador. Não se esqueçam que temos ganho muitos títulos no atletismo, no futsal, no pingue-pongue, no xadrez…
HDT- (gargalhada)
J. Soares - Não se riam que é verdade.
HDT- Com certeza. Para terminar, uma pergunta/provocação que certamente os seus opositores em Poiares gostariam de lhe fazer…
J. Soares - Já vos disse que nunca tive oposição na minha terra. Mas venha lá a provocação…
HDT- Como é que um presidente que deixou um concelho endividado e hipotecado vai para presidente da assembleia geral de um clube falido. Existe aí alguma atração pelo abismo?
J. Soares - Essa provocação não faz sentido. O Sporting não está falido e Poiares está bem de finanças.
HDT- (gargalhada aparatosa) (fim abrupto da entrevista) (corrida para casa)


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Última Hora - Penacovenses mudam-se em massa para Poiares

 Imagem impressionante da fuga dos penacovenses rumo a Poiares

Penacovenses fogem em massa para Poiares - Os penacovenses estão a fugir em massa para Vila Nova de Poiares, devido ao insuportável cheiro da política em Penacova e por estarem fartos de ler e ver nas redes sociais locais, os comunicados à imprensa e os milhares de fotografias dos presidentes a inaugurar coisas. 
Fontes da câmara de Penacova já admitem mudar as festas do concelho, de Carrazedos para um baldio na Zona Industrial de Poiares. Entretanto em Poiares já se pensa num plano de contingência para impedir a entrada de políticos de Penacova, de modo a evitar a contaminação do tradicional ar puro político daquele concelho. Jaime Soares, o ainda edil de Poiares, admite ter helicópteros da Proteção Civil em alerta, no caso de ser necessária uma intervenção em força.
Entretanto, à margem desta notícia e tendo em conta um dos motivos que levaram a esta fuga - a intoxicação da opinião pública e publicada de Penacova - soube-se também que o PS-Penacova está a últimar uma tese de Doutoramento em "Ciências da Propaganda", ministrado pela "Universidade Aberta dos Irmãos Verdades". A tese vai ser defendida por um assessor do presidente da Câmara e chefe da divisão de propaganda do partido.
AL

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Augusto Borralho impedido de fazer (pré) campanha em Penacova!

Não. Ao contrário do que se possa pensar, não se tratou de nenhuma ação do PS local, levada a cabo por um qualquer soldadinho mais diligente . Já basta bem o tempo que passam a bater em tudo o que mexe nas redes sociais.

Augusto Borralho (na imagem) não conseguiu fazer a sua primeira iniciativa de pré-campanha no nosso concelho por razões bem mais corriqueiras e que se prendem, afinal, com o que é hoje o quotidiano da vila de Penacova. A ideia era, pelo que apurámos, chamar a imprensa regional, nacional e internacional para mostrar Penacova ao mundo, passando uma noite hospedado no Hotel de Penacova e conversando com os turistas que fosse encontrando. Mas, segundo o gabinete de imprensa da sua candidatura, nada disto foi possível, não só porque o Hotel continua fechado mas também porque o seu staff de campanha não conseguiu encontrar nenhum turista com que Borralho pudesse conversar: “Estivemos quatro horas no Café Turismo, à espera dum turista mais incauto que pudesse entrar e...nada! Nem um para falar connosco das belezas da nossa terra!”

Borralho lá acabou por cancelar a iniciativa por falta de condições mas prometeu que voltará à carga com outras ações que "mostrem aos penacovenses que os socialistas estão, com a sua infinita vaidade, a matar Penacova!"

P.S.- Perante a insistência da pergunta nas últimas semanas, a Taberna aproveita para esclarecer que não recebe qualquer subvenção/apoio/subsídio, direta ou indiretamente, da Câmara Municipal de Penacova. Tal só faria sentido se prestássemos algum tipo de serviço ao município. E não é o caso.

P.P.S.- O Homem das Tabernas tem atravessado um período de menor intensidade do serviço, devido a circunstâncias que se prendem com as vidas de cada um dos taberneiros. Tal facto tem-nos obrigado a uma ponderada análise sobre a pertinência, em condições tão intermitentes, da continuação deste projeto,. Assim que tivermos chegado a uma conclusão serão os primeiros a saber.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Contra a milu-cratização do ensino…

(imagem tirada daqui)


…estou em GREVE.

E como superiormente sublinhou a ironia de Carlos Alberto Silva, greve que é greve não pode ser feita, como agora se vai querendo, de mansinho ou sem efeitos secundários:

A greve é um direito constitucional
Desde que não seja no meu quintal
E não belisque a conveniência geral

Não afecte a produção das farinhas 
Nem ponha em causa a criação de galinhas
Nem traumatize as pobres criancinhas

O melhor seria ouvir os poderes instalados 
E fazê-la em dia e hora mais adequados
Para não haver prejudicados

Talvez ao domingo depois do sermão
No feriado da Imaculada Conceição
Ou dia de São Nunca (que é santo pagão)

Nos restantes dias a greve já cansa
Agitando a louca bandeira da esperança
E a melhor das greves é a greve mansa
(Carlos Alberto Silva)

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Paella à moda de Penacova

Em Penacova a Paella diz-se, faz-se e come-se de forma especial. Bom apetite!

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

CINCO DÚVIDAS

1 - Não há comércio porque não há gente e dinheiro, ou não há dinheiro e gente  porque não há comércio?
2 - As obras são boas porque mudam as terras, ou as terras são boas porque as obras as mudam?
3 - Cão que ladra não morde ou cão que morde não ladra?
4 - Está sol se não chover, ou se chover não está sol?
5 - E os políticos, deviam estar mais calados ou deviam estar mais calados os políticos?



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Penacova será sempre Penacova

Vila de Penacova, antes das eleições autárquicas de 2009

O evidente prejuízo que a nova face da vila de Penacova custou à economia das suas gentes e que o Homem das Tabernas, teimosa e livremente, tem vindo a sublinhar, marca agora a agenda política concelhia, confirmando que vale sempre a pena discutir, por muito que isso custe a quem está comprometido com o poder. Ser um pensamento livre, num meio pequeno como o nosso, tem um preço. Atrever-se pode custar muito e, por isso, poucos se atrevem. Falamos em nome dos que não podem.

E a questão volta a colocar-se quando se discutem os supostos ganhos estéticos que resultaram da renovação da vila . Parece haver a imposição de uma espécie de pensamento único, que nos obriga a afirmar que a vila ficou melhor. Dizer o contrário é não gostar na nossa terra, pois claro. Isso custa-me, mas também aí não me importo de abrir o caminho da discussão, mesmo que, eventualmente, fique a falar sozinho.

Para mim o que sobra é que Penacova teimará sempre em ser bonita, por mais atropelos que sofra. Como costuma dizer o taberneiro Paulo Duarte, a diferença de Penacova relativamente a uma virgem, é que...será sempre Penacova.

sábado, 8 de junho de 2013

O share de audiências



A locutora famosa entra animada na cabine. Escolhe uma canção new age, alinha o cd com o jingle de publicidade ao best seller de auto-ajuda e recosta-se na cadeira. O técnico faz-lhe sinal e a sua voz entra no ar provocando uma onda orgástica.
Bom dia, caro ouvinte, hoje vamos falar de falta de auto-estima. Um admirador enviou-nos o poema que lerei de seguida. Belas palavras que merecem ser partilhadas. Ora ouça.
Não passas de um cobardolas.
Refugias-te na falta de auto-confiança para não dares o melhor de ti.
Estás dependente de um modelo de mulher desfasado da tua realidade.
Queres ir em frente? Sê quem tu és!
Uma mulher de força.
Capaz de enfrentar a adversidade.
Eficaz.
Determinada.
Criativa.
Sonhadora.
Pragmática.
Ambiciosa.
Perde o medo e avança.
O mundo é de quem acredita que vai conseguir atingir os seus sonhos.
Por isso, é imperativo continuares a sonhar e a acreditar em ti.
A ouvinte conduzia a velha Ford Transit de caixa aberta. Após ouvir o poema de auto-ajuda, parou a velha Ford, desligou o rádio, preencheu mais um formulário analítico e suicidou-se.
São Pedro, o pragmático,  exclamou - logo neste dia chuvoso e logo após um programa radiofónico tão bem colocado no share de audiências.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Em caso de dúvida não leia o texto

Hoje vou escrever um pequeno texto muito importante. Um texto para ver, ler, pensar e cheirar...

E não, não é nenhuma receita de cozinha.

Simples, mas acho que vai ter reflexões profundas.

Talvez um dos melhores textos da Taberna.

Talvez uma rádio novela no Clube Rádio de Penacova.

Um texto baseado numa fotografia do Alípio Padilha.

Herdar é humano e culpar os outros também (nas eleições autárquicas de Penacova).

O que eu quero dizer, afinal, é simples e banal: a coisa mais velha do mundo é ser ORIGINAL e a obra filosófica da humanidade tem a importância de um PEIDO (traque).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SENTENÇAS AO BALCÃO DA TABERNA

Alcides Batoque - Este vinho é a duas mãos, pá! Bebe-se com uma mão e mija-se com a outra.
Pedro Bifanas - FGd@-se, pá! Esta cerbeija está morta!
Joaquim Dobradiça - Estas mesas estão sujas, taberneiro! Traga cá um pano que eu já cuspi para o tampo para depois dar brilho.
Aurora Piegas - Este branco traçado está demasiado traçado. Parece água de lavagem!
Alberto Palpites - Estas cadeiras estão podres. Podres como este governo!
Profírio Anastácio - Esta rapaziada da câmara não faz nada. Andam só a controlar-se uns aos outros a ver quem agrada mais ao chefe. Deviam beber mais uns tintos de duas mãos para não asneirarem tanto e c@g@rem mais!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Taberna ao serviço de quem precisa


A D. Saudade é cliente habitual do Homem das Tabernas, facto que, por si só, me deixa orgulhoso e enfunado.

Mais, saber que a D. Saudade se lembrou da nossa taberna para pedir ajuda e dar conta de um problema público (que lhe tem causado particulares transtornos) só engrandece o trabalho que temos feito ao longo destes últimos 5 anos.

Quando chove, a D. Saudade, moradora no distinto bairro da Água do Soito (na estrada que liga Penacova à Galiana) depara-se com o cenário que a imagem documenta, resultante do deficiente escoamento das águas pluviais. As condutas construídas para o efeito não dão vazão a picos de precipitação, pelo que o acumular das águas da chuva conduz sempre a uma de duas situações: ou os automóveis contornam a água e se colocam fora de mão junto a uma curva (podendo provocar acidentes) ou traçam despreocupadamente o lençol, lançando a água sobre a área situada imediatamente abaixo da estrada, onde existem habitações.

A D. Saudade, que apesar de morar na Água do Soito não tem que levar com a água que não lhe diz respeito, já bateu a todas as portas oficiais que tinha que bater. Restou-lhe o grito (desafinado e desatinado) do Homem das Tabernas.


Que Deus a proteja. Com sorte é atendida ainda antes do Outono, estação que promete chuva…de promessas eleitorais. 

sábado, 1 de junho de 2013

Cenas maradas no dia da criança

Cenas de crimes
Mariana - És um grande vitupério, a tua mãe é da família dos vitupérios de cima e a tua irmã dos de baixo.
Francisco - Vou dizer ao setôr, tu hás-de morrer atropelada por um camião tir, os teus miolos hão-de borrifar a estrada e os teus pais, donos de uma empresa de limpar cenas de crimes, hão-de limpar-te sem saber qu'és tu.

 


Cena de amor
Mariana escrevinha no caderno diário em plena aula de inglês. Desenha dois corações, um mais pequenino e outro maior, no meio do mais pequenino escreve o nome do Francisco, no meio do maior o nome dela, seguidamente entrelaça os dois corações e decora-os com malquererdes. O setôr aproxima-se, Mariana vigia pela parte de cima dos óculos, tudo sob controlo. O olhar percorre a sala e alimenta-se da figura de Francisco, repara então que este está debruçado e escreve um bilhetinho. Fica ansiosa. O coração implode. De repente, o bilhete voa e cai aos pés do setôr. Mariana fica da cor dos pequenos corações e grita antes do professor apanhar o avião:
Mariana - Esse avião tem dono!
Franscisco fica triste. Afinal fora a parva da Mariana, e não a Tânia, que lutara pelo seu avião amoroso.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

EDITORIAL - Sobre o nível (de alguns) dos nossos comentadores

Reproduzimos, na íntegra, alguns comentários que não foram publicados, relativos ao último texto do José António Duarte, na passada 2ª feira.
Eles revelam bem a que ponto chegou o "debate de ideias" e o "respeito pelas opiniões alheias" nesta terra.
Está instalado em Penacova, o chamado "respeitinho", qualquer coisa que se traduz no seguinte:
"Todo o cidadão de Penacova que não reconheça a grande obra do Partido Socialista e não a elogia publicamente, é basicamente estúpido, incompetente, mau professor, besta, vendido a jantares, lamebotista do PSD, enfim..."
Outros comentários temos de censurar porque, em bom português, são de um mau gosto nauseabundo e O Homem das Tabernas jamais servirá de sanita a tão épicas diarreias.
Com tamanha mediocridade, o que esperar do nível da "obra" desta gente?

Comentário 1
“Retirada do blogue Cantigueiro aqui está uma definição perfeita para o autor deste texto: É verdade! Realmente não existe nenhuma norma constitucional – ou qualquer outra, diga-se – que proíba uma pessoas cheia de cursos e títulos académicos... de ser uma besta.
Dito isto, apenas por descargo de consciência, nunca deixo de achar um pouco repelente o espectáculo que algumas dessas pessoas dão, ou por serem realmente umas bestas, ou por, de forma sonsa, acharem que retiram algum proveito da habilidade para se armarem em parvos.
No teu caso, besta e parvo nunca foi tão bem aplicado. Candidata-te pá. Estavas tão lindo no panfleto da CDU há 4 anos. Ou então oferece-te aos teus amigos laranjas/azuis. Bestas por bestas sempre te juntas a alguns que te pagam uns jantares. Mais que não seja no encontro de bloggers".

Comentário 2
"Como é que um professor faz uma análise sócio-económica como esta, tão básica? As nossas crianças estão entregues a cada exemplar."

Comentário 3
"Hoje por acaso dei-me ao trabalho de perguntar a meia dúzia de comerciantes o que achavam do teu texto. Confirma-se. Não sabes do que falas. Este texto foi encomendado por um deles. Neste caso uma delas."

29 de maio de 2013
O Homem das Tabernas
 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

“O Sr. Presidente matou o comércio em Penacova”


Não sei se a afirmação é justa ou injusta. Até porque, como em quase tudo, nada é totalmente branco ou completamente preto.

Mas o que ninguém pode negar é que o desabafo em epígrafe se vai ouvindo da boca dos comerciantes da vila da Penacova (alguns até fazem questão de dizê-lo diretamente a Humberto Oliveira), desiludidos que estão com os resultados da renovação urbana da vila, numa altura em que todos já perceberam os efeitos nefastos que esta trouxe à saúde económica dos agentes que teimam em dar alguma vida a Penacova.

Humberto Oliveira, como homem inteligente que é, sabe que há frases, como a do título, que se nos colam e não mais nos largam, independentemente de tudo o resto. Se o reconhecer, saberá, na saudável e recomendável solidão do seu gabinete, avaliar cuidadosamente o que está em causa e perceber que nem tudo o que foi feito é irreparável. Ainda muita coisa pode ser feita para remediar os disparates cometidos na vila de Penacova.


E como falamos do futuro na nossa terra, o orgulho, a teimosia ou as táticas partidárias não podem sobrepor-se à sobrevivência dos munícipes. Dar o braço a torcer para salvar alguns postos de trabalho (ou para não perder mais nenhum) será sempre apreciado e reconhecido.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

5 ANOS DE HOMEM DAS TABERNAS


Faz amanhã, dia 23 de maio, 5 (cinco) anos que O Homem das Tabernas foi fundado por mim e pelo José António Duarte, na altura como Vasco Vinagre e Ricardo Vinhas, respetivamente.
É muito difícil manter um blogue deste tipo, sobretudo oriundo de um meio fechado e pouco dado a abanões do género do que causámos.
O caminho não foi liso e levámos alguma "pancada", sofremos ameaças e até pressões, tivemos que censurar comentários estúpidos e ofensivos, enfim...
Mas nestes cinco anos, conquistámos também dois prémios nacionais na área dos blogues - Concurso Nacional de Blogues 2011 e 2012, com um 3º e 2º lugar respetivamente, a primeira na categoria "Local e Regional" e em 2012, na categoria "Humor e Sátira".
É impossível falar na blogosfera de Penacova e até exterior a Penacova, sem referir O Homem das Tabernas. 
Juntamente com os sites de notícias Penacova Atual e Penacova Online, permanecemos ligados como um exemplo de longevidade, neste espaço tão breve que é a internet..
A dada altura destes cinco anos, juntaram-se ao balcão, a Vera Carvalho e o Paulo Duarte e mais recentemente, o penacovense mais famoso de Lisboa, o Alípio Padilha.
Os conceitos de escrita e humor alargaram-se e não existem barreiras. Não desrespeitamos ninguém, somos críticos, vamos lançando propostas, repetimos um candidato "virtual", pela segunda vez, à Presidência da Câmara de Penacova - Augusto Borralho, temos um sociólogo - Jorge Algeroz - que desmonta o facto político mais intrincado, temos o cão rafeiro "Bagaço" que entre os sonos, as cadelas e os passeios higiénicos, rosna à clientela mais mal educada e tivemos três colossais empregadas, Natasha, Marlene e Alzira que entretanto regressaram aos seus países de origem devido ao facto de este Portugal se ter tornado, entretanto, ainda menos recomendável que as suas nações de origem, Rússia, Brasil e Roménia.
Posto isto, estamos à beira das 200 mil visitas e já registamos mais de 375 mil visualizações.
Mais 5 anos?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

E se a Feira de Penacova subisse de novo à vila?


Imagem: Óscar Trindade

Custa ver a Feira de Penacova pendurar-se penosamente no tempo, sem qualquer brilho ou utilidade. Meia dúzia de feirantes (e outros tantos clientes) cumprem um ritual que entristece quem foi assistindo ao lento definhar de um evento que já teve importância estruturante na vida económica do concelho. 

Mas, apesar de tudo apontar para a sua inevitável extinção, acreditem que é possível salvar a Feira de Penacova. E a primeira forma de salvá-la passa, curiosamente, por trazê-la de volta ao espaço que ocupava antes de se mudar para Carrazedos. Devolvê-la à pitoresca e singular alameda com vista para o Mondego que envolve o espaço do antigo castelo dar-lhe-ia contornos históricos e nostálgicos que certamente a tornaria mais apetecível.

Depois há que saber modernizar a feira e adaptá-la aos novos hábitos do comércio tradicional de rua. Atrair, por exemplo, o bom artesanato que se vai fazendo na região e que está ligado às raízes culturais deste e doutros concelhos próximos, criaria também um outro valor acrescentado, que muito bem é aproveitado por outras vilas históricas.

Óbidos ou, para não ir tão longe, Penela, são exemplos do excelente relacionamento que existe hoje entre a história local e a economia e que muito nos podem ensinar. São vilas turísticas, que se orgulham do seu título e onde este faz efetivamente sentido. 

Por que não aprender com quem sabe?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dar notícias em Penacova requer muita coragem!



Estavam dois pescadores no rio Mondego (localização indeterminada) quando, por trás de uma pedra, surgiu uma lampreia com 5 metros, 15 dentes postiços e com muito mau aspecto!
Disse um dos pescadores:
-É um animal pré-histórico! O mais terrível do rio Mondego!! O que fazemos?
- Fazemos o seguinte - disse o outro, preparando-se para correr - tu ficas aqui e aguentas o bicho, que eu vou espalhar a notícia por Penacova inteira.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

PORTANTO

Ora bem, estive a ver o número de leitores que se dão ao trabalho de ver/ler as minhas postas e a conclusão é simples. Dos três taberneiros ora em serviço sou, ultimamente, claramente o menos visto e lido.
Lido bem com isso e até agradeço o desprezo.
Mas em nome da sobrevivência deste estabelecimento que dentro de poucos dias completará 5 anos, aqui fica algo que, para além de outras coisas, poderá fazer crescer as audiências às minhas postas e ao Homem das Tabernas por osmose.
Acrescente-se que qualquer destas meninas daria belos calendários para o nosso estabelecimento, qualquer oficina de mecânica e bate-chapa e "beliche" de camionista!






segunda-feira, 13 de maio de 2013

Há comércio de carnes no Hotel de Penacova



Há algumas décadas atrás, à porta da Ti Palmira da Loiça (junto ao Cruzeiro de Penacova) vendiam-se animais de criação (sobretudo aves) por ocasião da feira que, então, por ali se estendia.

Hoje, a poucos metros de distância, continua a vender-se carne que, não sendo de capoeira, comunga da mesma degradação do proscrito galinheiro em que se transformou o espaço que foi idealizado para unidade hoteleira.

E assim o desenvolvimento de Penacova lá se vai fazendo destas tristes ironias. O edifício, que noutros tempos serviu para elevar a condição humana, melhorando a vida de crianças desafortunadas, é hoje palco de uma das mais baixas pegadas do caminho da nossa evolução.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

MINI TIMELAPSE DE UM TABERNEIRO DESINSPIRADO

23:03h - O taberneiro inicia o processo criativo.
23:15h - Depois de 12 linhas escritas, o taberneiro chega à conclusão que o texto está uma bela merda e não vai de modas e apaga-o
23:20h - O taberneiro decide começar outro texto, mas antes de acabar a primeira frase classifica-a como uma bela bosta e, ato contínuo, apaga-a.
23:22h - O taberneiro vai beber um tinto a ver se a inspiração aparece. Um Dão de 2009.
23:35h - O taberneiro acaba o segundo copo e decide tentar de novo escrever.
23:40h - O taberneiro, de mãos nas têmporas, ainda não tem nada escrito e já pensa em desistir.
23:45h - Mais duas frases para o lixo. O taberneiro não quer escrever sobre política, auto-impediu-se de escrever sobre a sua terra e sobre o futebol não quer deprimir 6 milhões de benfiquistas sobre o que muito provavelmente poderá acontecer no sábado à noite, enfim...
23:47h - O taberneiro vai à varanda apanhar ar e contar as borboletas que andam loucas às voltas junto a um candeeiro.
23:55h - O taberneiro volta para o computador e decide que hoje, não vai escrever nada.
00:01h - Os leitores verificam que não há nada para ler ao balcão da taberna.

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