O HOMEM DAS TABERNAS
Ao balcão, entre copos... o mundo visto em contra-mão.
Sábado, 26 de Maio de 2012
Sexta-feira, 25 de Maio de 2012
Última hora: anda um crocodilo à solta no Mondego!
A
fotografia foi tirada ontem pelo nosso colaborador Óscar Trindade e vem confirmar os relatos de alguns populares de
aldeias ribeirinhas (Vila Nova, Ponte, Azenha do Rio, Carvoeira, Cheira e
Rebordosa) que vinham afirmando há dias terem visto um crocodilo nas águas do
Mondego.
As
autoridades já lançaram caça ao bicho e, entretanto, o PS/Penacova já fez saber
que desconfia que a oposição esteja por trás do aparecimento de tão
desenquadrada criatura no leito do Mondego: “O objetivo deles é meter medo e afastar os turistas, para depois se
dizer que a Câmara não consegue restituir a vida ao Reconquinho. Portanto, se a
praia tiver outra vez este ano poucos veraneantes, isso será culpa da oposição
e não nossa. O nosso trabalho pelo desenvolvimento pelo concelho está à vista e
eles andam desesperados e sem argumentos.”
Da
oposição, conseguimos ouvir uma fonte do PSD, que diz não ter nada que ver com
o assunto, pondo a hipótese de “o
crocodilo ter vindo misturado com algum carregamento de terra clandestino,
aquando do aterro feito na margem esquerda do Mondego, junto à Ponte de
Penacova”.
P.S. – Dizia-me
alguém que esta foto não pode ser verdadeira, por se ver a ponte de madeira que
ainda não foi construída. Respondi eu: “Exatamente,
a ponte é o único corpo estranho da imagem.”
Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
DECLARAÇÃO INSPIRADA EM MIGUEL RELVAS
Quero aqui, ao balcão da taberna, declarar o meu apreço e admiração por todos aqueles e aquelas que, de forma obviamente desinteressada, compenetrada e convictamente exercem o poder político e contribuem de forma tão decisiva para a possibilidade das nossas vidas, gente merecedora de respeito e sobre a qual tantas vezes destilo a minha ironia e cinismo perfeitamente injustos.
Agora que já disse bem de quem tantas vezes digo mal, desejo a todos frutuosos dias!
Quarta-feira, 23 de Maio de 2012
Comédia em três atos
Ato 1
Interior, Final de dia
A cena passa-se em qwerty2001, do lado de cá do rio, na casa de uma família política respeitada, os Montecchio, o patriarca era um homem venerado e adorado em toda a localidade. E o velho Montecchio era um homem garboso e ciente do seu valor.
A cena passa-se em qwerty2001, do lado de cá do rio, na casa de uma família política respeitada, os Montecchio, o patriarca era um homem venerado e adorado em toda a localidade. E o velho Montecchio era um homem garboso e ciente do seu valor.
- Queridos filhos, já viram como o pai trabalha tanto para o desenvolvimento de qwerty2001?
Os filhos orgulhosos do seu pai, gabavam-se da excelente governação praticada pelo seu progenitor. Daí que amiúde afirmavam:
- Ó pai, o Manelinho diz que tu és tão trabalhador e honesto como o Pinóquio.
- Meus filhos, em qwerty2001 há gente muito generosa, principalmente os Capuleto, que só contam a verdade e são conhecidos por amar os seus jornalistas.
- Papá, o que são jornalistas?
- Os jornalistas são uma classe profissional detentora de poder interpretativo, por vezes os seus profissionais são acometidos por uma doença genética que é adquirida durante o exercício da profissão, o que provoca um clima de paz e harmonia em qwerty2001. Os Montecchio, os Capuleto e os jornalistas adoram-se mutuamente, daí que não exista qualquer dificuldade em divulgar-se que há pessoas em qwerty2001 mais iguais que outras. Meus filhos, temos de ser transparentes.
Os filhos pensaram e repensaram e um dia enceraram o pai. Estava na altura de mudar de dinastia e provar a tese de Freud, tão endividada nos tempos que correm.
Ato 2
Interior, Final de dia
A cena passa-se em qwerty2001, do lado de lá do rio, na casa de uma família política reverenciada, os Capuleto, o patriarca era um homem muito respeitado pelos homens (e mulheres) das empresas e das finanças. Ora tal garboso pai sempre que podia lembrava aos filhos:
- Queridos filhos, o pai vai ter de calcular muito para governar qwerty2001.
Os filhos assistiram a alguns anos de cálculos ordenados e amiúde regozijavam:
- Ó pai, o Luisinho diz que tu és como os homens da Goldman Sachs, tão depressa és a solução como o problema.
- Meus filhos, aprendam o seguinte: os qwertinianos são gente benevolente e fraterna que adora divulgar as pessoas de bem, em vez de me deixarem de trabalhar. Estou rodeado de gente competente e de moeda informatizada.
- Papá, o que é moeda informatizada?
- Meus filhos, é um tipo de moeda que cria cenários informativos naquelas máquinas horrendas chamadas computadores, é por essa via que os Montecchio querem fazer bem ao mundo. Mas eu estou a criar uma super fórmula matemática, uma super fórmula muito poderosa e infalível, o que permitirá uma boa gestão de contas eterna. Sim, porque gerir as contas bem, nem sempre é para qualquer um.
Os filhos foram crescendo, criando amizades, estabelecendo alianças e combinando formas descontraídas de governar com os Montecchio. Assim, tal como os Montecchio, mataram o pai e a mãe e foram felizes por umas décadas, o que permitiu desaprovar a tese de Orwell, do pretenso totalitarismo do Estado, tão austerizado nos tempos que correm.
Ato 3
Um dia qwerty2001 acordou sem os Montecchio - e pasmem! - sem os Capuleto, ambos decidiram aproveitar uma excelente oportunidade de carreira num país emergente. Segundo as más línguas foram todos colocados a trabalhar na sucursal local da Goldman Sachs, uma empresa idónea e conhecida por oferecer oportunidades milionárias a quem gosta de comer qwertyanos (e qwertyanas) ao pequeno almoço.
Terça-feira, 22 de Maio de 2012
Se não aparece neste vídeo não vale a pena espreitar
Mas é melhor confirmar primeiro.
Segunda-feira, 21 de Maio de 2012
4
(C) Mariana Duarte
Quatro
anos a servir
P’ra
agitar e inquietar.
E
mais quatro hão-de vir
Que
isto está p’ra começar.
Sábado, 19 de Maio de 2012
A ENERGIA QUE (N)OS CONSOME
Foi ontem anunciado, ao som das trombetas do costume, que um corte nas rendas aos fornecedores de energia irá acarretar, até 2020
repare-se na "retoma" das longínquas metas, uma tradição do estilo socrático de que já havia saudade
uma diminuição de 40% na fatura energética do bom povo lusitano. Rir faz bem e todos gostamos!
O método é simples e radica na fraca memória e no afã do dia-a-dia que castra qualquer tentativa para lembrar estas e outras patacuadas dos regimes que se sucedem uns aos outros, todos eles com o propósito nobre da salvação das respetivas coutadas e de alguns coitados à mistura.
Para se perceber melhor ao que andam uns e outros, normalmente costumam aparecer por aqui nos comentários deste blogue uns ladradores anónimos que se lambem quando a coisa lhes cheira ou ladram
são ladradores, não é?
se a coisa mexe com as suas pequenas quintarolas e respetivos capatazes.
De facto, o que mais espanta é perceber os motivos tão "exaltantes" que os movem, a soldo dos políticos e "ideologias/ideias" que defendem.
Ainda se essa defesa tivesse razões válidas para valer, se tudo estivesse encantado com a vida, enfim, agora defender esta imensa coluna de incompetência que se vem sucedendo consecutivamente, com os resultados que se sabem é que é algo que ultrapassa as noções da mais elementar "lógica".
Mas claro, há que tratar dos quintais e dos correspondentes umbigos. A lei da selva impera e na hora de prestar contas, as niveladoras não costuma ter olhos.
É esta "energia" gasta que (n)os consome e mesmo que alguns permaneçam acima das dificuldades, mais tarde ou mais cedo uma das implacabilidades de Murphy tratará de colocar as linhas da história escritas em indelével tinta.
"Quando uma coisa pode correr mal, há todas as probabilidades para que corra efetivamente mal!"
Sexta-feira, 18 de Maio de 2012
A Grécia está queimada
A
Grécia, que inventou a democracia, promete incendiar a Europa com o poder do
voto. A Europa, que inventou o capitalismo, promete estar lá para salvar o que verdadeiramente
interessa.
Quinta-feira, 17 de Maio de 2012
missa dominical
Taberneira - 'Tou baita deprimida, no domingo não vi "Esse cara não me é estranho".
Alecrim aos molhos - Eu vi, nada de extraordinário, o cara fez a performance da semana mascarando os pontos críticos e embelezando os menos críticos.
Taberneira - Isso é disparate, menino, o cara sempre atuou sem máscara.
Anastácio, o poeta - Ok, já percebi o enigma.
Taberneira de sobrancelha elevada à hipotenusa.
Anastácio, o poeta - Não viste o cara, logo fizeste um desvio religioso no teu trajeto dominical.
Quarta-feira, 16 de Maio de 2012
A mais estúpida aula de História alguma vez escrita
Desta vez, vou falar-vos de grandes vultos da
humanidade. Como os navegadores da época dos descobrimentos, por exemplo. Dizem
que os americanos comeram carne pela primeira vez quando, em 1492, chegou o
Cristóvão C'o lombo (com o lombo).
Também tenho um carinho especial pelo Diogo Cão. Não
sei o que ele descobriu, mas qualquer pessoa que conseguiu ser alguém na vida
com este nome merece o meu respeito.
Para mim, mais importante que descobrir toda a América, foi a descoberta do próprio Brasil. Já viram a fezada que é descobrirmos um sítio onde falam a mesma língua que nós? Se, em vez do Brasil, tivéssemos descoberto a Alemanha... hoje andava aí tudo a cantar:
Alemanha maravilhosa, cheia de cerveja mil!
Alemanha maravilhosa, para esticar o pernil!
Ai, minha amiga Merkel...ye ye ye
Ai, minha amiga filha, filha da Merkel
Se você fosse sincera, ye ye ye ye ...Merkel.
Terça-feira, 15 de Maio de 2012
PASSOS COELHO ACUSA PORTUGUESES DESEMPREGADOS DE SEREM ESTIGMAS, PISTILOS E FANEROGÂMICOS
O atual Primeiro Ministro é uma criatura com níveis de perfídia nunca vistos na política nacional e Sócrates comparado com ele é um menino de coro com asinhas de anjo e auréola por cima da sua grisalha cabeça filosofal.
Cada vez que Passos Coelho abre a boca para dizer o que quer que seja, ofende os portugueses e a vontade de o apanhar numa esquina e encher de pancada cresce desmesuradamente. Ou então, quem não gostar de porrada pode optar por verter sobre ele alcatrão quente e depois um balde de penas!
Está toda gente muito ofendida com o que ele disse sobre o desemprego e com razão! Mas o pior não é isso...
Ora aqui na Taberna, o que me ofendeu e muito, ao ponto de ter sido difícil (ao José António Duarte e ao Paulo Duarte - que chegou até a dar-me um estalo em alemão!...) segurarem-me pois queria com a fúria partir o LCD da parede com uma cadeira, foi a palavra usada por Passos Coelho aos 27 segundos deste vídeo. Estigma.
Estigma é uma palavra infame. Em Botânica, por exemplo, significa: "Abertura superior do pistilo por onde entra o pólen"! Do Pistilo?
Pistilo é o "Orgão feminino dos vegetais fanerogâmicos!
Fanerogâmico por seu turno significa: "Que tem os orgãos sexuais aparentes, visíveis!"
O que é que isto tem de ofensivo? Tudo. Muito. Uma vergonha
Tudo junto o que é que significa? Significa que o senhor primeiro Ministro nos está a chamar a todos de flores, isto é, rabetas, bichas, veados, fazedores de panelas! Quer dizer, já não basta ser desempregado, todos são rotulados desta forma lisa e infame? Quem ele pensa que é?
E já agora, para as comunidades realmente alinhadas nesse tipo de designação, o que é que ele tem contra elas? Estigma?!
Por favor senhor Primeiro Ministro, por favor!
Demita-se.
Já!
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Segunda-feira, 14 de Maio de 2012
Penedo do Castro, um miradouro subaproveitado?
Não
existem muitos miradouros em Portugal com esta beleza esmagadora. Chega mesmo a intimidar, pela sua insinuante brutalidade. O
entalhe perfeito do Mondego, aproveitando uma área geomorfologicamente estilhaçada e polvilhada por uma bafejada presença humana,
agita-nos e quase que nos abocanha, pela sua grandiosidade e altivez.
É por isso que não percebo que um local desta dimensão, num concelho que sempre quis apostar no turismo enquanto panaceia para um desenvolvimento eternamente prometido, nunca tenha tido um aproveitamento à sua altura.
Enquanto os nossos vizinhos fazem o pino (e ridículas piruetas) para conseguirem qualquer coisinha que possam apelidar de turístico, nós por cá tratamos o nosso património com a sobranceria típica dos que acham que o encanto fala por si.
É por isso que não percebo que um local desta dimensão, num concelho que sempre quis apostar no turismo enquanto panaceia para um desenvolvimento eternamente prometido, nunca tenha tido um aproveitamento à sua altura.
Enquanto os nossos vizinhos fazem o pino (e ridículas piruetas) para conseguirem qualquer coisinha que possam apelidar de turístico, nós por cá tratamos o nosso património com a sobranceria típica dos que acham que o encanto fala por si.
Sábado, 12 de Maio de 2012
sobre um homem iluminado
Taberneira - O primeiro-ministro disse ontem que o desemprego poderá ser uma oportunidade.
Alecrim aos molhos - E tem razão! É uma oportunidade para não se fazer nada.
Taberneira - É uma oportunidade por várias razões: os bancos estão cheios de dinheiro e o subsídio de desemprego poderá ser transformado num empréstimo para se abrir um negócio.
Alecrim aos molhos - Sim, sempre é melhor trabalhar por conta própria do que por conta de imbecis.
Taberneira - Claro, por todas estas razões, e mais algumas, temos um primeiro-ministro que não é um homem patético.
Anastácio, o poeta - Sim, e Portugal está bem posicionado no ranking dos melhores salários da Europa.
Alecrim aos molhos - Obviamente, se as oportunidades de criação de emprego e a clientela ávida de consumo abundam, de que estamos à espera?
Anastácio, o poeta - Meu Deus, temos um primeiro-ministro iluminado!
Alecrim aos molhos - E tem razão! É uma oportunidade para não se fazer nada.
Taberneira - É uma oportunidade por várias razões: os bancos estão cheios de dinheiro e o subsídio de desemprego poderá ser transformado num empréstimo para se abrir um negócio.
Alecrim aos molhos - Sim, sempre é melhor trabalhar por conta própria do que por conta de imbecis.
Taberneira - Claro, por todas estas razões, e mais algumas, temos um primeiro-ministro que não é um homem patético.
Anastácio, o poeta - Sim, e Portugal está bem posicionado no ranking dos melhores salários da Europa.
Alecrim aos molhos - Obviamente, se as oportunidades de criação de emprego e a clientela ávida de consumo abundam, de que estamos à espera?
Anastácio, o poeta - Meu Deus, temos um primeiro-ministro iluminado!
Sexta-feira, 11 de Maio de 2012
Comece a preparar as suas férias!
Os cruzeiros são, sem dúvida, dos melhores sítios para garantir engates durante as férias. Elas podem dizer que não, mas não podem fugir para muito longe.
Aconselho a todos que viajem para o oriente. Tem uma
atração única: as orientais! As orientais que fazem uma massagem...sem mãos que
é de bradar aos céus!
Nunca percebi aquelas pessoas que não vão ao oriente
porque pensam: "Ai que horror!
Recuso-me a ir a um país onde comem cães!" Meus amigos, nós vivemos
num país onde os pastores comem as ovelhas. Pensem nisto!
Quinta-feira, 10 de Maio de 2012
EXCLUSIVO HDT - HOLLANDE ARRISCOU ELEIÇÃO
Na imagem, François Hollande acena a António José Seguro que foi mantido a uma "distância segura" pelos estrategas da campanha do agora presidente eleito da França, por recearem um combo de falta de carisma que poderia ser fatal para Hollande. Crédito da foto.
---
O Homem das Tabernas, através do seu enviado especial às eleições francesas de domingo passado, sabe que a vitória de François Hollande não foi maior porque os franceses souberam do apoio de António José Seguro ao candidato socialista e não gostaram.
Especialistas referem que a falta de carisma de Hollande foi bastante condicionada pelo apoio de Seguro, dado este ter ainda menos carisma que o candidato que não era Sarkosy e portanto juntou-se uma manifesta falta de carisma de Hollande com uma falta de carisma manifesta de Seguro.
Os mesmos especialistas aludem que caso Seguro tivesse apoiado mais cedo o candidato agora eleito, isso poderia ter feito com que provavelmente Hollande não vencesse, dado o eleitorado francês não gostar de gente em bicos dos pés e a tentar fazer-se notar e que mal a mal, a esposa de Sarkosy não é de deitar fora, apesar de italiana.
Recorde-se que numa manobra de invulgar perspicácia e até inteligência política, Seguro manifestou o seu apoio a Hollande, assim que percebeu que Sarkosy não seria reeleito.
Quarta-feira, 9 de Maio de 2012
Telefonistas querem as mesmas condições das galinhas
O sindicato dos trabalhadores de telemarketing, que representa os funcionários que passam o dia engaiolados nos call centers em Portugal, vai reclamar junto das instituições da União Europeia condições de trabalho idênticas às que já foram conseguidas pelas galinhas poedeiras portuguesas.
“As galinhas conseguiram, e bem, áreas de trabalho mais espaçosas, e outras condições que lhes permitem satisfazer as suas exigências biológicas e comportamentais. Não temos nada contra, mas gostaríamos que os nossos trabalhadores tivessem, pelo menos, as mesmas regalias. Há centrais de atendimento telefónico que são autênticos aviários e é triste ver a Comissão Europeia não dar a mesma atenção a estes trabalhadores que dá às galinhas.” – argumentou Alberto Cubículo, presidente do sindicato.
Na
sequência desta reivindicação, também os sindicatos de professores ponderam solicitar
ao ministro da educação que garanta, a alunos e professores, condições de
trabalho nas salas de aula idênticas às das modernas capoeiras, o que está em causa
com o recente aumento para 30 do número de alunos por turma.
Terça-feira, 8 de Maio de 2012
Região Inter-Municipal do Património Imaterial Tauromáquico
Taberneira - Vou dizer ao nosso Humberto para seguir as pegadas do autarca de Vila Nova de Poiares.
Alecrim aos molhos - Seguir as pegadas?
Taberneira - Bem, ao que parece Poiares está a preparar-se para considerar a tauromaquia "Património Imaterial Poiarense".
Anastácio, o poeta - Tem toda a razão de ser, pois Poiares é muito conhecida pela criação de cavalos.
Alecrim aos molhos - Ah, pois, a sugestão da Taberneira é boa, se do lado lá do rio Mondego temos uma tradição enraizada de criação de cavalos, do lado de cá existe um costume inveterado de criação de touros. Aliás, é essa a razão de ser da super-especialidade do Restaurante Angular: touro com laranja.
Taberneira - Pois, só faltam juntar-se à tourada os forcados de Coimbra, os cavaleiros de Tábua. Meu Deus, estamos a fazer história com este brainstorming para uma nova região imaterial: a região inter-municipal do património imaterial tauromáquico.
Zé Manel - É pá, esta ideia é genial! Temos de propor esta "brand" ao nosso Humberto.
Anastácio, o poeta - Pois é, e até podemos negociar, eles ficam com o tribunal, nós com a praça de touros, parece-me justo!
Segunda-feira, 7 de Maio de 2012
Sábado, 5 de Maio de 2012
A VIR(A)GEM
Discurso da tomada de posse do líder da concelhia
de Serapilheira do Bairro do Partido Solipsista:
"Caríssimos, em boa verdade me parece que é
chegada a hora da viragem. Se tirarmos um “a” a 'viragem', ficará 'virgem' e é isso que
somos, um partido virgem que assume uma viragem e portanto chegado esse
momento fraturante, cá estamos prontos.
Fraturante porque, efetivamente, estamos perante
decisivos desafios que, assumamos, são bastante desafiantes na medida em que a
realidade nos desafia a desafiar esta nossa virgindade que pretende uma
viragem, mas com o “a”, no sentido de potenciar o futuro tendo em conta o
presente se sem escamotearmos o passado, porque o nosso passado é virgem, sem o 'a'.
Por último, assumimo-nos virgens, não no sentido
sexual do termo, mas pela nossa não responsabilidade na situação que se situa
nos limites de uma viragem e dos desafios que nos desafiam a usarmos a nossa
virgindade para a viragem com 'a' e, vá, para uma ou outra virgem, sem 'a' que pretenda fazer connosco
uma viragem com 'a'!
Disse."
Sexta-feira, 4 de Maio de 2012
Afinal, pode haver noite em Penacova!
Foto: Pedro Viseu
E,
de repente, tivemos um pedacinho de Bairro
Alto em Penacova.
Uma
insuspeita, quase improvável (e até desagradável) noite de 30 de Abril acabou
por contrariar uma ideia sedimentada em décadas vazias e despidas de gente:
podemos ter vida na vila de Penacova.
Martins da Costa gostava de salientar, como já se
disse tantas vezes por aqui, que vivemos numa terra de mortos. E, depois de
morrer, a vida deu-lhe razão. A vila sempre despareceu com o pôr-do-sol.
Mas
não tem que ser assim, claro está. E o ambiente que se criou na noite do I Capítulo da Confraria das Bifanas do Jo
na Rua Barjona de Freitas mostra isso
mesmo. “Isto parece o Bairro Alto”,
repetia-se aqui e ali. E eu, embriagado (pelo espírito da festa), já imaginava possível
uma movida nas noites de Verão, com a
malta a circular entre bares, do Euclides até ao Avenida.
Quinta-feira, 3 de Maio de 2012
berzundelas de tinto a martelo
Taberneira - No dia 1 de Maio fui ao Pingo Doce.
Alecrim aos molhos - Um dia pacífico, não?
Taberneira - Sim, claro. Arranquei um olho ao velho que me pretendia roubar o Quinta da Serapilheira, dei uma dentada na orelha da matrona que queria açambarcar toda a cachaça e abocanhei as garras da rapariguinha do shopping.
Alecrim aos molhos - As garras da rapariguinha do shopping?
Taberneira - Sim, queria levar todos os exemplares do "Mudar". E isso é inadmissível! Não é todos os dias que um político escreve uma obra prima tão fundamental para os destinos de um país.
Alecrim aos molhos - Sim, ao que parece foi um dia pacífico e proveitoso.
Zé Manel - E vomitaram corredores e tudo ou foi uma berzundela de tinto a martelo?
Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
É urgente ler este texto!
Numa ida às urgências dos HUC com um problema de saúde,
mandaram-me calar e deram-me a senha nº 339! O serviço de urgências consiste no
sistema para decidir o que é urgente e o que não é. Numas Urgências em
Portugal, uma mão partida...não é urgente; hemorragias...não são urgentes. Eu
até já tive uma enfermeira que me disse que um familiar meu que estava em coma
não era considerado urgente, porque estava estabilizado! As urgências são um
pouco como as nossas avós. Para elas nada é grave
demais:
Neto: Oh avó...levei com um tiro de caçadeira na
orelha!!
Avó: Isso não é nada! Não sejas mariquinhas...e agora
apanha lá a orelha do chão e vai brincar!
Terça-feira, 1 de Maio de 2012
Hoje é o Dia do Trabalhador. Amanhã já não.
Segunda-feira, 30 de Abril de 2012
da indiferença das audiências
Taberneira - Ontem morreu o meu canário mais idoso. Estou triste.
Anastácio, o poeta - Há tempos escrevi um pequeno texto sobre a morte. Gostava de ouvir a vossa opinião.
Alecrim aos molhos - Por mim podes ler, mas não te queixes se eu mostrar desagrado com um certo tipo de português, o português técnico.
Anastácio, o poeta - Ora aqui vai: "Hoje terei de encontrar um lugar. Amanhã terás de encontrar um lugar. Os lugares não são de confiança, existem independentemente das pessoas. Os lugares por onde passámos jamais se lembrarão de nós. Olhemos com certa desconfiança os lugares. Manifestemos o nosso desprezo pelas memórias olfactivas. Os cheiros dos lugares deverão então ser apagados sem o mínimo de preocupação. Pois os lugares jamais lembrarão o nosso amor. A forma como tornámos o espaço circundante estranho e especial. Os lugares são por isso espaços que devemos odiar com um fervor inegociável e radical. Não devemos confiar nos lugares. Eles permanecerão para além de nós."
Taberneira - Ó poeta, não leves a mal, mas esse texto tem morte a menos e lugares a mais.
E enquanto Alecrim aos molhos adormece solidariamente no canto mais obscuro da Taberna, Anastácio, o poeta, remexe ansiosamente nas palavras, fazendo um esforço derradeiro para agradar às audiências.
Anastácio, o poeta - Há tempos escrevi um pequeno texto sobre a morte. Gostava de ouvir a vossa opinião.
Alecrim aos molhos - Por mim podes ler, mas não te queixes se eu mostrar desagrado com um certo tipo de português, o português técnico.
Anastácio, o poeta - Ora aqui vai: "Hoje terei de encontrar um lugar. Amanhã terás de encontrar um lugar. Os lugares não são de confiança, existem independentemente das pessoas. Os lugares por onde passámos jamais se lembrarão de nós. Olhemos com certa desconfiança os lugares. Manifestemos o nosso desprezo pelas memórias olfactivas. Os cheiros dos lugares deverão então ser apagados sem o mínimo de preocupação. Pois os lugares jamais lembrarão o nosso amor. A forma como tornámos o espaço circundante estranho e especial. Os lugares são por isso espaços que devemos odiar com um fervor inegociável e radical. Não devemos confiar nos lugares. Eles permanecerão para além de nós."
Taberneira - Ó poeta, não leves a mal, mas esse texto tem morte a menos e lugares a mais.
E enquanto Alecrim aos molhos adormece solidariamente no canto mais obscuro da Taberna, Anastácio, o poeta, remexe ansiosamente nas palavras, fazendo um esforço derradeiro para agradar às audiências.
Sábado, 28 de Abril de 2012
Taberna ajuda a combater a crise
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