O Partido Socialista está reunido este fim de semana em Braga.
Um congresso que se segue à eleição de António José Seguro para seu Secretário Geral, sucedendo a 7 anos de Sócrates.
A tarefa do PS não é fácil.
Se por um lado, as medidas (duras e impopulares) do governo de coligação se põem a jeito para serem contestadas, por outro, por mais cara feia e dureza nas palavras que Seguro (e Seguro já foi o jovem mais velho de Portugal) imponha no seu discurso ou nas suas ações de oposição, a pesada herança que meia dúzia de anos de governo de Sócrates deixaram, colocam uma metafórica fita-cola na boca dos socialistas, cuja consciência ainda permanece nos seus níveis de razoabilidade - o cadáver ainda fumega, de resto... - contendo-os no seu palavreado jacobino e revolucionário do costume.
Mas, como é evidente, o tempo passa - e nem precisa ser muito - a política é descarada e raramente tem a vergonha prostrada no seu manual de modus operandi, sendo que de braço dado com o esquecimento é uma fórmula eficaz, traduzida com parcimónia de culinária no alheamento das massas, por um lado, e por outro no arregimentar das bases partidárias para, controladas e em rebanho, espreitarem a oportunidade de mais tarde ou mais cedo voltarem ao pastoreio da pátria, como se à frente delas, abrindo caminho, um braço invisível pintasse de branco as paredes e terreno da história recente.
O país, como quase toda a gente percebe num silêncio de ratos, nunca sai a ganhar, por mais balões e confettis que no domingo, em Braga, sejam largados no céu...


