quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A COLOSSAL ILUSÃO

Confesso que não tenho grande coisa para vos dizer hoje. O balcão das ideias está deserto e nas paredes da taberna a televisão
     que agora é um plasma
está já desligada, escura, arrefecendo a atualidade castrante, servida sem cerimónias pelas mesmas caras, salteadas das mesmas palavras
     também há os LCD´s
ora com tempero a mais e o estômago a torcer-se, ora sem sal e tempero e o estômago a retorcer-se porque não se torce.
Sobre o balcão, pequenas migalhas sobejantes das sandes de conversa dos clientes, com futebol e política, a greve ou a não greve, a adivinhação dos números, tudo mastigado com insistência maxilar, regado a vinhos ou cervejas, com os guardanapos a correr frente à boca a limpar os pedaços de palavras cortados pelos dentes
     algumas palavras claramente feridas, a necessitarem de tratamento
o pano a deslizar pelo balcão empurrado pela mão do taberneiro de serviço e desenhando figuras abstratas, ângulos diversos
     e depois torcido no lava copos
e com ele os restos e despojos que o estômago não acataria de bom grado
     e de novo sobre o balcão para secar definitivamente a conversa
com o taberneiro já desligado do mundo, projetando mais um dia seguinte e de como a história se repete, usa as mesmas palavras 
     que são de uma dificuldade tão simples, vistas assim
e se sucede sem novidades, inscrevendo banalidade nas existências que, por isso, se projetam numa tranquilidade que confortando no imediato, não passa de uma colossal ilusão.




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