Convidámos o sociólogo Jorge Algeroz para vir aqui à Taberna explicar toda esta fenomenologia das festas de Penacova. Aqui não embarcamos em análises feitas à luz da partidarite, sempre susceptíveis de evidenciar tendências cuja subjectividade não dá margem de manobra à verdade.
Jorge Algeroz, natural do concelho, tem desenvolvido algumas teses que explicam esta desconfiança do penacovense face à "novidade" e a sua postura relativamente a eventos festivos.
"Bom, é por demais evidente que o cidadão de Penacova não está talhado para eventos que tenham a sua raiz num qualquer substrato que se prefigure elitista ou que o reduza a uma expressão subalterna, sobretudo quando comparado com o seu semelhante. Depois, a sua patogénica desconfiança relativamente ao poder político, sobretudo aquele que não perfilha, não lhe dá margem para participar nem tão pouco produzir uma análise lisa e clarividente, levando-o, umas vezes por incapacidade, outras por simples posicionamento antipodal - única forma de fazer frente a uma situação que não domina - a não participar ou a participar de forma extremamente crítica."
Interrompemos Jorge Algeroz para ele poder beber um tinto e respirar e, depois, continuou...
"Mas reparem, por muita novidade que o poder político apregoe nestes festejos, eles radicam na mesma receita que a maioria dos concelhos deste país adopta nos seus festejos, isto é, uma componente popular, onde o povo se identifica, seja pela natureza dos artistas, seja pelo apelo gastronómico e o lado sócio-político, onde os políticos se integram, tentando por um lado o habitual registo do auto-elogio, alicerçado numa espécie de fundamento doutrinal que muitas vezes eles não percebem e/ou dominam, por outro a assunção da sua condição popular, na medida da necessidade do seu nivelamento, por forma a esbater as habituais barreiras que decorrem do exercício do poder e dos escrutínio permanente a que estão sujeitos."
Depois destas tão evidentes e claras análises, perguntámos a Jorge Algeroz se já foi às festas de Penacova...
"Não. Não cortejo políticos e a cultura popular, sendo respeitável, não me é apetecível!..."